Rio - O cantor Marcelo Pires Vieira, o Belo, foi preso na manhã desta sexta-feira por policiais da Polinter em sua casa, num condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste. Ele estava num cômodo escondido por uma parede falsa. Belo está na Polinter, carceragem superlotada onde se encontram 1600 detentos. De acordo com o chefe da Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, o cantor ficará por uns dias até conseguir vaga no sistema prisional. O cantor já fez exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal(IML).
Uma equipe da Polinter, com oito policiais, chegou à casa do cantor, no condomínio Maramar, por volta de 6h05. Viviane e um empregado disseram que ele não estava em casa, mas os policiais mostraram mandado de prisão e entraram para revistar. Depois de 40 a 50 minutos, os agentes encontraram o esconderijo, um cômodo de 2m x 2,5m, contíguo ao salão de jogos da casa, no andar térreo. No local, havia banheiro e colchonetes e seria o antigo banheiro do salão de jogos. O fundo falso que dava acesso ao esconderijo ficava no bar do salão. O cantor não resistiu à prisão. A polícia suspeita que o esconderijo existia há pelo menos um ano.
Desembargadores da 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça condenaram o cantor a oito anos de prisão
Em novo julgamento, anteontem, os desembargadores da 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça decidiram, por unanimidade, condenar o cantor Marcelo Pires Vieira, o Belo, a oito anos de prisão por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Os magistrados também aceitaram o pedido de condenação a oito anos de prisão de Antônio Carlos Ferreira Gabriel, o Rumba, líder comunitário da Favela do Jacarezinho, feito pelo Ministério Público. Os mandados de prisão contra os dois foram expedidos no fim da tarde e encaminhados à Polinter, divisão de capturas da Polícia Civil.
Belo foi a julgamento pela segunda vez anteontem porque em janeiro tinha conseguido liminar, confirmada pelos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que anulou a decisão da 8ª Câmara de condená-lo em dezembro de 2003. À época, os advogados do artista alegaram cerceamento de defesa, já que o cantor foi julgado com mais 14 réus e não foi respeitado o tempo, estimado em 15 minutos, que cada advogado tinha para defender os clientes. Com esse argumento, Belo conseguiu esperar novo julgamento em liberdade.
MP tenta até o fim condenar Belo
Para condenar Belo - cuja voz foi gravada em telefonemas, a partir de abril de 2002, negociando armas e drogas com o traficante Valdir Ferreira, o Vado do Jacarezinho - os desembargadores Flávio Magalhães, Ângelo Glioche e Maria Raimunda de Azevedo acolheram o pedido do Ministério Público. O procurador Júlio Cessar de Souza Oliveira pediu que a pena do cantor fosse aumentada de seis para oito anos. Ele também solicitou a condenação de Rumba.
Na sentença da juíza Rute Lins Viana, da 34ª Vara Criminal, de 30 de dezembro de 2002, ela tinha condenado Belo a seis anos de prisão, com direito de aguardar o julgamento do recurso em liberdade. Na mesma decisão, Rute absolveu Rumba, alegando que não tinha provas suficientes do envolvimento do líder comunitário com o tráfico.
Para a polícia, Rumba era a ‘ponte’ entre traficantes do Jacarezinho e policiais corruptos, além de usar o cargo de coordenador do Centro de Referência para Comunidades Especiais da Secretaria de Segurança para beneficiar o tráfico. "Hoje foi cometido um erro. Não existem provas contra ele. Vou esperar a publicação do acórdão para pedir revisão criminal", disse Nilo Batista, advogado de Rumba. Os advogados de Belo não foram encontrados para comentar a decisão da Justiça.
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